O Instituto Elo Amigo participou nessa sexta-feira (05/11) de um importante momento promovido pelo Projeto São José através da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, o seminário “Metodologias de Reuso de Águas”. O evento virtual teve sua programação iniciada em 26 de outubro e encerrou em 05 de novembro de 2021.
O coordenador Executivo do Elo Amigo, Marcos Jacinto, esteve representando a ASA e contribuiu com a apresentação do sistema de reuso implementado pelas organizações sociais do Fórum Cearense Pela Vida no Semiárido, incluindo o próprio Elo Amigo, que trabalha com Sistema de Reuso desde 2017.
Na ocasião, representantes do Projeto São José, SDA, Ematerce, Secretaria das Cidades, organizações sociais, e técnicos de todo o Ceará discutiram sobre a produção de hortaliças, tratamento de esgoto doméstico, reuso de águas cinzas, reuso para irrigação, e inovações tecnológicas de sistema de reuso, dentre outros assuntos.
A oportunidade apresentou os sistemas e as experiências das instituições atuantes no Estado do Ceará em projetos de inovações e convivência com o semiárido.
A prática da agricultura teve início a partir das mulheres, ao perceberem, por acaso, que as sementes lançadas na terra germinavam e davam origem a novas plantas, as quais garantiam alimento de origem vegetal. Isto ainda no período neolítico, há mais de 12 mil anos.
No passar dos séculos, a prática foi sendo aprimorada por comunidades camponesas tradicionais, que são pioneiras na produção de alimentos para auto consumo nos territórios, criando toda uma diversidade ancestral em torno da culinária, que varia em cada região do mundo. À medida que a população mundial foi crescendo, a demanda por alimentos foi aumentando também. A ciência, por sua vez, passou a buscar desenvolver tecnologias que garantissem a produção de alimentos em maior escala.
As estratégias adotadas para atender a essa realidade, no entanto, na maior parte do mundo, foram oriundas do modelo capitalista, onde há concentração dos meios de produção. Assim, a produção de alimentos em larga escala foi sendo viabilizada pelos países, mas com isso se instaurando também a concentração de terra e água, a exploração da mão de obra humana e a desigualdade social.
As sementes não escaparam a essa conjuntura. Com vistas a imprimir um ritmo de produção mais acelerado para gerar lucros e não apenas saciar a fome da população, os agrotóxicos chegaram às lavouras, depois de terem sido criados e experimentados durante a primeira e segunda guerras mundiais, no século XX. Nessa mesma lógica, registrou-se investimentos em estudos para o chamado melhoramento genético das sementes, o que interfere no processo natural de garantia da existência das espécies nativas cultivadas pelas famílias camponesas, indígenas, quilombolas, etc ao longo das gerações.
Transgenia - Quando se fala em Convivência com o Semiárido brasileiro, assim como o acesso à água e à terra, o uso da biodiversidade está no centro das estratégias, trazendo, portanto, as sementes, sejam vegetais ou animais, para este lugar de centralidade, lembra Luciano Silveira, integrante da AS-PTA, entidade que faz parte ASA. Trata-se de “um patrimônio genético que vem de uma história, de gerações de cultivo de uma enorme biodiversidade e conhecimentos associados que vem de gerações a gerações sendo conservadas por essas populações que vivem no Semiárido”, contextualiza.
A mudança genética ou processo de transgenia consiste em incorporar material como vírus ou bactéria de uma espécie em outra, com a finalidade de implantar novas características, a exemplo da resistência a fenômenos naturais como a seca. Já se sabe que essa ação contamina as espécies nativas, mas quem se beneficia com essas alterações?
Quem detém as patentes das tecnologias para realizar esse tipo de pesquisa são empresas multinacionais, as quais aplicam os altos investimentos em espécies geralmente produzidas em larga escala com finalidade de exportação, gerando lucro apenas para esses poucos grupos empresariais que passaram a dominar a chamada indústria alimentícia no mundo.
Esse processo de modificação de sementes sob o argumento de garantir melhores condições de produção causou grande impacto nas comunidades tradicionais que mantinham a tradição da produção de alimentos saudáveis. Por volta da década de 1970, por exemplo, relembra Luciano, o coronelismo que predominava no Semiárido chegava a usar a semente, assim como a água, para manter relações clientelistas e de subordinação.
Este testemunho também é dado pelo agricultor Euzébio Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras de Remígio (PB), que conta que, após um trabalho de formação feito por organizações da sociedade civil, teve início a construção das redes de bancos comunitários de sementes, com vistas a proteger a maior diversidade e variedade de espécies possíveis.
O agricultor destaca que o milho tem sido a semente que mais contamina e por isso é dada uma atenção maior a ela. De acordo com a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Paola Cortez, “a contaminação de sementes crioulas de milho por transgênicos é um problema muito grave que vem se alastrando em vários países do mundo (…), essa contaminação acaba descaracterizando essas sementes quanto a alguns atributos que são essenciais” para garantir sua longevidade e diferentes usos. A contaminação interrompe esse ciclo, segundo Paola.
No Brasil, “a gente não tem medidas e normas claras de proteção ou de mitigação aos efeitos da contaminação”, isso faz com que as/os agricultores/as inclusive adquiram facilmente sementes contaminadas e as insiram em seus territórios, muitas vezes sem ter conhecimento dos prejuízos que isto causa à perda da biodiversidade, constata a pesquisadora.
Ela reforça que as sementes crioulas são patrimônios materiais e imateriais dos/das agricultores/as, estão diretamente ligadas à cultura destas pessoas, mas também é um patrimônio estratégico para a humanidade. A afirmação da colaboradora da Embrapa só reafirma o que pensa Euzébio Cavalcanti: “as sementes crioulas, elas dependem de nós e nós dependemos delas”.
Enfrentamento - As sementes nativas são chamadas de crioulas. Na Paraíba, elas recebem também o nome de Sementes da Paixão, cuja origem desta nomenclatura é contada por Euzébio: “Seu Dodô, um agricultor do médio sertão, ele disse: o governo pode distribuir a semente que ele quiser, a semente que eu tenho lá em casa, que é adaptada à minha região, eu tenho paixão por ela”. Assim, desde 2003, as sementes nativas foram batizadas também de Sementes da Paixão.
No Semiárido, diversas experiências têm sido desenvolvidas há décadas, buscando preservar e proteger as sementes tradicionais. O trabalho das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s) e de sindicatos foi fundamental para estimular as comunidades a se organizarem em torno disso, reconhecem Luciano Silveira e Euzébio Cavalcanti.
“Além dos estoques tradicionais que as famílias já conservavam das suas sementes crioulas, as comunidades de base estimularam (…) estoques coletivos que permitissem que as famílias se libertassem da dependência das sementes fornecidas muitas vezes pelo poder local”, rememora Luciano.
No Pólo Sindical da Borborema, no semiárido paraibano, surgiram redes de bancos comunitários de sementes, as quais vêm se fortalecendo ao longo dos anos, com apoio de organizações como a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e chegando a propor políticas públicas voltadas para o tema. Hoje a região produz, dentre outros alimentos, o cuscuz da paixão, fubá produzido a partir de milho crioulo cultivado nos territórios.
“Nós temos várias comunidades aqui que são livres de transgênicos, são protegidas, todas as famílias plantam a mesma variedade e praticamente um vigia o outro pra não deixar nenhuma semente estranha chegar nessa comunidade”, relata Euzébio. Ele também demarca: “nossa luta atual é pra que nos conselhos municipais de desenvolvimento rural sustentável não distribuam milho que não seja da nossa região, estamos brigando para que as prefeituras comecem comprar milho agora para estocar (...), porque o milho é nossa maior preocupação hoje, ele é quem contamina”.
A Paraíba segue com a campanha “Não planto transgênico pra não apagar minha história”, assim como outra mais recente intitulada “Multiplique sementes crioulas: conserve memórias no mundo”, lançada no último dia 15 pelo Centro de Apoio Cultural (Centrac).
Em outros estados do Semiárido a defesa das sementes crioulas também acontece a partir de diversas ações protagonizadas pelos movimentos sociais e organizações de apoio. Assim como o problema da transgenia é mundial, o enfrentamento também é. Atualmente, o México, onde há uma predominância no consumo e cultivo de inúmeras variedades de milho, trabalha a campanha “Sin maíz no hay país” (cuja tradução é “sem milho não há país), evidenciando a ameaça a soberania alimentar dos povos e lutando pela defesa das sementes livres de modificação genética.
Para Luciano, da AS-PTA, na década de 1960, 1970, a disputa era com os grandes coronéis, hoje são com as grandes corporações “que dominam o mercado de sementes e de produção de alimentos no mundo”. Para tanto, é preciso um enfrentamento que junte forças para além das famílias e movimentos sociais, mas que envolva toda a sociedade, considerando os aspectos culturais, mas também ambientais, econômicos e políticos que estão imbricados.
Conquistas - A partir das diversas experiências de conservação e preservação das sementes crioulas, a pressão social realizada pela sociedade civil organizada provocou o lançamento do Programa Sementes do Semiárido, em 2015, durante o governo Dilma Roussef (PT). Mais de mil casas e bancos comunitários foram beneficiados, aproximadamente 20 mil famílias contempladas, cita Luciano.
O Programa foi executado pela ASA e estimulou a autogestão no processo de estoque de sementes nativas, intensificando, inclusive, o debate acerca da autonomia das/dos agricultores/as familiares na conservação da genética frente ao processo de dominação do mercado dos transgênicos.
Outro aspecto bastante positivo nessa trajetória, foi a aproximação de organizações como a ASA com a Embrapa, o que tem rendido estudos, pesquisas e projetos voltados para a valorização das sementes crioulas. Esta parceria tem garantindo, inclusive, ações como análises, ensaios comparativos para identificar índices de contaminação e implantação de campos de multiplicação das sementes nativas em diversos estados do Semiárido, a exemplo do que foi viabilizado nos últimos anos, por meio do projeto Agrobiodiversidade no Semiárido, que é parte do Programa Inova Social da referida empresa pública de pesquisa.
O estado do Rio Grande do Norte apresenta também uma experiência bastante exitosa no campo das políticas públicas. Dentro do programa do governo de Fátima Bezerra (PT) consta o trabalho de compra e distribuição de sementes, “o maior programa de distribuição de semente no Brasil”, afirma o secretário estadual de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, Alexandre Lima.
Em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e com diversas parcerias, a exemplo da ASA, famílias agricultoras fornecem e recebem sementes crioulas com o objetivo de preservarem as espécies. Segundo Alexandre, o Programa é fruto, inclusive, do Programa Sementes executado pela ASA.
No início deste ano, foi aprovada a Politica Estadual de Sementes Crioulas (Lei nº 10.852/21) que trata também de mudas nativas. Com recursos próprios, o estado estabeleceu a meta de distribuição de 96 toneladas de sementes, com um investimento total de um milhão de reais, incluindo sementes de feijão, milho, fava, arroz vermelho, sorgo forrageiro e gergelim, totalizando 17 variedades destas.
No período de 2020/2021 o número total de famílias beneficiadas já foi de 4.773. Para o secretário estadual, contudo, pesquisas feitas no estado têm apontado o desafio da contaminação como um entrave ao programa. A avaliação de eventos de transgenia a partir de 27 amostras constatou que 63% destas estavam contaminadas e apenas 37% livre de transgenia.
Ao celebrar esse avanço no estado, Alexandre reconhece a importância da parceria com a ASA, Emater e os movimentos sociais e reforça: “Sem a parceria com a ASA e os movimentos sociais, o programa não aconteceria aqui”.
*Com informações da Articulação do Semiárido Brasileiro / ASA.
Como parte das ações de mapeamento dos grupos de jovens existentes nas regiões Centro Sul e Cariri Oeste, a equipe do projeto Juventudes em Ação, do Instituto Elo Amigo, em parceria com IICA, FIDA, Projeto Paulo Freire e a SDA, vem realizando reuniões de apresentação do projeto aos movimentos rurais nos cinco municípios de abrangência da iniciativa social.
Em algumas comunidades, os educadores sociais foram pessoalmente conhecer a realidade de cada grupo, suas habilidades e desafios. Em algumas localidades, as reuniões foram feitas de modo virtual, sempre com a presença de representantes e integrantes dos grupos que estejam em plena atividade ou até aqueles que tiveram uma pausa nas ações por conta do período pandêmico atual.
Nesses primeiros momentos será possível identificar a peculiaridade de cada grupo de jovens. Com esse processo ainda em curso, muitas histórias serão contadas ao longo da primeira etapa do projeto “Juventudes em Ação” pelo desenvolvimento popular na zona rural.
Encontro realizado com jovens na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Antonina do Norte-CE com representantes das comunidades de Várzea Nova e Espírito Santo:
Reunião na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Assaré-CE com representantes de algumas comunidades rurais:
Encontro com representantes de algumas comunidade rurais de Tarrafas-CE:
Encontro realizado com jovens e lideranças comunitárias na Vila Caixa, Acopiara-CE:
Reunião virtual realizada com jovens da comunidade de Jurema, em Orós-CE:
O mais novo desafio do Instituto Elo Amigo no fortalecimento da agricultura familiar e geração de oportunidades para a juventude rural!
Na próxima quarta-feira, 03 de novembro de 2021, às 16h, será realizado o lançamento oficial do projeto Juventudes em Ação. Uma parceria do Instituto Elo Amigo com Projeto Paulo Freire - Desenvolvimento Produtivo e de Capacidades, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura - IICA, Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará - SDA e Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola - FIDA. O evento será virtual com transmissão ao vivo pelo Facebook do Elo Amigo através da página www.facebook.com/eloamigo.
Na ocasião serão apresentados os principais objetivos do projeto e será feita a explanação das metas na promoção de ações da juventude rural nos cinco municípios cearenses atendidos: Acopiara, Orós, Tarrafas, Assaré e Antonina do Norte.
Os representantes das instituições parceiras, lideranças comunitárias, autoridades da região se farão presentes nesse importante momento para o Centro Sul e Cariri Oeste.
O Instituto Elo Amigo juntamente com a FETRAECE e diversos parceiros realizaram a 3ª edição da EXPOAF – Exposição da Agricultura Familiar do Centro Sul e Vale do Salgado no Parque de Exposições do Rotary Clube de Iguatu no último sábado, 10 de agosto.
O evento disponibilizou uma feira de produtos da agricultura familiar com 83 representantes de Iguatu, Acopiara, Quixelô, Jucás, Cariús, Orós, Cedro, Icó, Saboeiro, além de estandes de instituições parceiras, exposição de animais, minicursos, apresentações artísticas e shows culturais.
A programação contou com um dia inteiro de atividades gratuitas encerrando à noite com show dos artistas Zé Vicente e Luiz Fidelis.
Além da comercialização dos alimentos e produtos da feira a população pode aproveitar alguns serviços gratuitos oferecidos pelas organizações parceiras como testes de glicemia, orientações de saúde, cálculo de IMC, aferição de pressão arterial, orientação jurídica, corte de cabelo, manicure e sobrancelha.
Entrega de títulos
Durante a solenidade de abertura da III EXPOAF, como parte da programação do evento houve entrega de mais de 100 títulos de terra a agricultores locais dentro do Programa de Regularização Fundiária.
O Superintendente do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDACE), José Wilson Gonçalves, o Secretário de Desenvolvimento Agrário, De Assis Diniz, o Secretário de Relações Institucionais da Casa Civil, Nelson Martins representando o Governador Camilo Santana, o bispo da Diocese do Iguatu, Dom Edson de Castro, deputados estaduais, o prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor, prefeitos da região, o presidente da FETRAECE, Raimundo Martins, o coordenador executivo do Instituto Elo Amigo, Marcos Jacinto, além de vereadores e lideranças sindicais se fizeram presentes na cerimônia. Aconteceu também a entrega de equipamentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
Com a regularização, os agricultores familiares passam a ter segurança jurídica e acesso a políticas públicas. Dentre elas está o crédito rural, assistência técnica, Programa de Distribuição de Sementes (Hora de Plantar), o Garantia Safra e aposentadoria como trabalhador rural.
Festival de sementes
Representantes da Cáritas Diocesana lideraram o Festival de Sementes Crioulas realizando um momento místico e cultural enaltecendo os produtos da terra junto com agricultores e curiosos que passavam pela feira.
Além da explanação sobre cada semente exposta, dezenas de produtores brincaram de ciranda ao som de músicas que expressavam o amor pela natureza.
Recurso Financeiro e palestras
Dentro do Salão principal do Rotary Clube de Iguatu o Instituto Elo Amigo realizou a entrega de recurso financeiro (valor de R$ 315,00 para cada família) a 30 agricultores do município de Quixelô, beneficiários do projeto de Cisterna de Enxurrada executado pelo Instituto.
A prefeita de Quixelô, Fátima Gomes esteve acompanhando o momento que solidifica o processo de incentivo a produção rural através dos quintais produtivos.
Ainda no período da tarde foi ofertada palestra com representante do Banco do Nordeste que tirou dúvidas dos presentes sobre Garantia Safra, Crédito Rural e outros assuntos de interesse da agricultura familiar.
Programação Cultural
Durante todo o dia a animação ficou por conta de Bêu Paulino e dos violeiros Charles Gomes e Lourival Pereira.
Com o objetivo de oferecer atrações culturais aos expositores, colaboradores e população em geral, no encerramento da III EXPOAF teve o encontro musical do cantor Zé Vicente, em seguida apresentação de orquestra de violão e coral com alunos do curso de música da FAJI (Fundação de Apoio ao Jovem de Iguatu) e fechando a noite, o talento do compositor e cantor Luiz Fidelis e banda. Tudo gratuito e com público diverso de jovens, adultos e idosos.
São muitos os exemplos de formação familiar que caminha unida e que trabalha junto nas plantações de pequenas ou grandes propriedades. Nestes exemplos o resultado do suor é sempre compartilhado com maior orgulho. A figura feminina deve ser objeto de admiração na agricultura familiar, pois delas saem ideias criativas e aprimoramentos de técnicas individuais para o crescimento dos negócios.
Esta e outras famílias agricultoras iguatuenses, estarão na III Expoaf, 10 de agosto, no Parque de Exposições de Iguatu.
Laura Bezerra de Lavor, seus 03 filhos e seu marido vivem no Sítio Junco, no distrito de Alencar, zona rural de Iguatu, e demonstram a persistência no combate ao comodismo. A família é beneficiária do projeto do Instituto Elo Amigo com a instalação da Cisterna de Calçadão que contribuiu para a expansão da criação de porcos e cultivo de uma horta com uma variedade significativa de verduras e plantas medicinais.
Mesmo em áreas pequenas é possível produzir e garantir renda extra ou muitas vezes a única renda da casa. A atividade na localidade visitada é disseminada pela vizinhança. Com poucas reservas de água o quintal não pode esperar pelas chuvas para a produção dos alimentos. “Comecei com a criação de porcos, construindo a pocilga deles pra eles terem um lugar melhor pra ficar pela questão da higiene porque quando é um chiqueiro feito na terra tem lama, e aí esse tem o piso e se torna mais saudável pro próprio alimento.” Disse Laura ao explicar os primeiros passos das ações.
A horta da família começou com uma ideia do filho e migrou para o terreno maior e se multiplicou em tamanho e produtividade. Lá existe o mastruz, a erva cidreira, o capim-santo, alguns tipos de malva, hortelã, entre outros. Além disso, o cheiro-verde, alface e cebolinha usados na casa são também cultivados lá, tudo sem uso de agrotóxicos.
A equipe do Instituto Elo Amigo esteve na manhã deste sábado (03/08) na feira livre no centro comercial de Iguatu realizando um trabalho de divulgação da III EXPOAF – Exposição da Agricultura Familiar do Centro Sul e Vale do Salgado. A atividade, intitulada de Pré-Expoaf, mobilizou os populares que se dirigiam ao centro da cidade para convidá-los a participar do evento que será realizado no próximo dia 10 de agosto no Parque de Exposições do Rotary Clube de Iguatu.
Na ocasião houve panfletagem, carro de som, abordagem educativa, exposição e degustação de alguns produtos que serão comercializados na III EXPOAF. A concentração ocorreu nas dependências da barraca do agricultor Ednaldo Barros, que já produz alimentos livre de agrotóxicos e vende para diversos estabelecimentos locais.
Foi possível informar a população para a programação oficial da feira que caminha para sua 3ª edição e contará com participação de um maior número de parceiros e atividades gratuitas. “A gente sabe que a agricultura familiar tem grande importância para a economia local como também nacional. Nós estamos nos últimos anos trabalhando com a EXPOAF que dentro da exposição vamos ter uma série de produtos como hortaliças, frutas, verduras, doces, produtos artesanais, exposição de animais...” - reforçou parte da programação Marcos Silva, presidente do Elo Amigo.
Por Daniela Lima