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Ceará agroecológico lança nota de repúdio a matéria do Fantástico da TV Globo

Confira a Nota de Repúdio do Movimento Ceará Agroecológico contra a matéria do último domingo (31/01) do Programa Fantástico da Rede Globo sobre a feira de orgânicos do Mercado dos Pinhões, supervisionado pela Associação para o Desenvolvimento da Agropecuária Orgânica - ADAO / Adao Organicos

Nota de Repúdio

Nos, do Movimento Ceará Agroecológico, através das entidades parceiras abaixo signatárias, vimos por meio desta se pronunciar de forma indignada com a reportagem “Feirantes vendem produtos com agrotóxico como orgânicos” veiculada no programa Fantástico (Rede Globo) no último domingo (31/01/16), na qual a emissora procura, de forma claramente tendenciosa e voluntariamente parcial, desacreditar todo o setor da agricultura familiar e camponesa agroecológica do Estado do Ceará.

Considerando que a reportagem foi filmada no mercado dos Pinhões em Fortaleza no dia 01/12/2015 e que nesta ocasião a organização da feira que é de responsabilidade da Associação para o Desenvolvimento da Agropecuária Orgânica - ADAO permitiu prontamente que a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará - ADAGRI escolhesse e colhesse amostras de produtos à venda, ainda que a ADAGRI não tenha atribuição legal para tal ação, visto ser a fiscalização de alimentos no comercio é de responsabilidade da Vigilância Sanitária,

Considerando que no dia 30/12/2015 foi gravada uma entrevista com um representante da ADAO, quando se prestou todos os esclarecimentos técnicos solicitados em resposta às afirmações da reportagem de que os resultados teriam confirmado a presença de “traços” de agrotóxico em um dos produtos, mas que a emissora achou por bem não colocar essa entrevista no ar,

Considerando que os resultados das análises laboratoriais e seus respectivos laudos não foram entregues à solicitante (ADAGRI) e tampouco à ADAO, mas que foi estranhamente parar nas mãos da TV Verdes Mares (afiliada local da Rede Globo) que se recusou a fornecer uma cópia para a ADAO,

Considerando que a matéria do Fantástico tampouco se deu ao trabalho que se pressupõe ser inerente a um efetivo jornalismo de investigação, onde se escuta e inclui no seu conteúdo falas e posições das inúmeras redes, fóruns, articulações, associações, ONGs e movimentos que trabalham com ética na promoção da agricultura orgânica e/ou agroecológica, promovendo assim uma consistente interelação entre produtores e feirantes,

Considerando ainda defendermos maior rigor e fiscalização dos órgãos competentes, assim como esperamos que, tanto o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA no âmbito federal como a ADAGRI no âmbito estadual, invistam e melhorem suas estruturas e seus quadros de fiscais, justamente para atender este setor da agricultura orgânica em plena expansão como a própria matéria destaca, mas também para garantir um melhor controle do uso, hoje indiscriminado, dos agrotóxicos e transgênicos que contaminam cada dia mais nossa alimentação,

Considerando finalmente que o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos – PRONARA, construído coletivamente por órgãos de governo e movimento sociais, já foi aprovado na Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO) e espera justamente a adesão do MAPA desde ano passado (dos 10 ministérios envolvidos, segue sendo o MAPA o único que ainda não assinou),

Por todas essas considerações, apresentamos essa nota de repúdio à direção de jornalismo do Fantástico (Rede Globo) pela sua postura parcial e antiética e à repórter Kíria Meurer, os produtores Ana Pessoa e Pedro Rockenbach, os editores Bruno Della Latta, Flávio Lordello e André Alaniz, por construírem uma matéria que julga o todo pela parte. A reportagem falha gravemente quando decide deliberadamente não valorizar a importância do trabalho de milhares de famílias agricultoras que diariamente produzem alimentos sem agrotóxicos e de qualidade indispensáveis para a segurança alimentar da população brasileira, do campo e da cidade.

Para recuperar a falsa imagem de desonesto, imputada aos produtores rurais que operam na produção diária de alimentos orgânicos, entidades, mandatos e indivíduos que assinam tal nota, invocam o poder da Lei 13.888/2015, que versa sobre o direito de resposta ou retificação do ofendido em matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social.

Ficam então as seguintes perguntas: A quem interessa jogar na vala comum dos desonestos, esforços de amplos e diferentes sujeitos que se utilizam das feiras para protagonizar iniciativas de oferta de uma alimentação inócua e que assegure saúde aos seus consumidores através da agroecologia e da produção orgânica? A quem interessa produzir uma caracterização das feiras agroecológicas e de produtos orgânicos como locus de embusteiros, antes mesmo de trazer à tona o que significa a produção agroecológica e a produção orgânica diante da explosão do uso de agrotóxicos no país e dos agravos à saúde e impacto sobre o SUS que esta opção representa.

Longe de pretender responder plenamente a esta pergunta oferecemos algumas interpretações a título de reflexão. Em nosso entendimento interessa ao agronegócio e a indústria química de insumos associada que abocanha um mercado de 11 bilhões de dólares para a produção de commodities agrícolas. Interessa aos setores que querem a paralisia e asfixia de iniciativas tão relevantes como o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos – PRONARA e de um conjunto de iniciativas no marco legal de unidades da federação com vistas a proibição em alguns casos, maior controle e disciplinamento de agrotóxicos em outros com vistas a assegurar saúde e qualidade de vida as populações e ainda visa inibir e constranger o florescimento e fortalecimento de um outro modelo de agricultura no país, e infelizmente e tradicionalmente os grandes meios de comunicação, como vemos neste episódio, há tempos que se irmanam com o os interesses econômicos, com a concentração de renda, degradação ambiental e a violação de direitos das populações a partir dos privilégios concedidos a uma elite conservadora.

Fórum Cearense pela Vida no Semiárido - FCVSA 
Rede Cáritas Regional do Ceará
Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais na Agricultura Familiar no Ceará - FETRAECE 
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST 
Centro de Estudos do Trabalho e Assessoria ao Trabalhador - CETRA 
Centro de Pesquisa e Assessoria - ESPLAR 
Organização Barreira Amigos Solidários - OBAS 
Associação para o Desenvolvimento da Agropecuária Orgânica – ADAO 
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro - CDDH
Cooperativa Mista de Trabalho, Assessoria e Consultoria Técnico-Educacional - COMTACTE
Instituto Antônio Conselheiro - IAC
Instituto Elo Amigo - IEA
Instituto Rio Jaguaribe - IRJ
Mandato do Deputado Federal José Airton Cirilo
Mandato “é tempo de resistência” do Deputado Estadual Renato Roseno
Mandato do Deputado Estadual Moises Braz
Mandato do Deputado Estadual Elmano de Freitas
Mandato da Deputada Estadual Raquel Marques


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